Rádio de Feira perde Jair Cesarinho, ícone da crônica esportiva que marcou gerações
Radialista morreu na madrugada deste sábado (10); colegas destacam sua trajetória e a contribuição para a formação de comunicadores.
Feira de Santana amanheceu de luto neste sábado (10) com a morte do radialista e cronista esportivo Jair Cesarinho, um dos nomes mais marcantes da história do rádio feirense. Conhecido pela voz inconfundível, pelos bordões que conquistaram os ouvintes e pela paixão pelo esporte, ele construiu uma trajetória que atravessou gerações e deixou sua marca na comunicação da Bahia.
A notícia da morte provocou manifestações de pesar entre colegas, amigos e ouvintes, que lembraram não apenas o profissional, mas também o homem de convivência generosa, responsável por abrir portas para outros comunicadores e participar de momentos históricos do rádio. Ao longo da carreira, Jair passou por emissoras como Rádio Cultura, Rádio Fundação, Rádio Sociedade e Princesa FM, além de atuar em coberturas esportivas, políticas e culturais.
O radialista também esteve à frente de grandes jornadas de transmissão de futebol, acompanhou Copas do Mundo e participou da cobertura de eleições, carnavais e micaretas. Sua atuação ajudou a consolidar seu nome entre as referências da crônica esportiva, especialmente pelo trabalho dedicado ao futebol e ao Fluminense de Feira.

Uma voz que permanece na memória
O repórter do Acorda Cidade Ney Silva guarda uma lembrança particular da relação com Jair: foi ele quem sugeriu o nome profissional pelo qual ficou conhecido. Quando começou no rádio, em janeiro de 1985, Ney ainda utilizava o próprio nome, João da Silva Bezerra.
Meses depois, Jair assumiu a direção da Rádio Cultura, a convite do então deputado Oscar Marques, e chamou Ney para trabalhar na emissora. Foi nessa época que sugeriu a mudança de nome, por considerar que Ney Silva funcionaria melhor no rádio.
Décadas depois, o repórter recorda não apenas o gesto, mas a convivência com alguém que mantinha uma boa relação com os colegas e estava sempre disposto a conversar.

O bordão, Pelé e uma viagem que virou história
Quem acompanhou Jair no rádio certamente guarda alguma lembrança de seu jeito irreverente. O radialista Dílson Barbosa, do programa Bom Dia Feira, da Princesa FM, compartilhou com o Acorda Cidade um dos bordões que marcaram a trajetória do colega.
“O Jair dizia: “Se o rádio fosse inventado depois da televisão, as crianças iriam falando ‘mamãe, mamãe, inventaram uma TV sem imagem’”. Realmente o Jair era isso.”
Mas a história de Jair também foi feita de grandes coberturas. Ele trabalhou por mais de duas décadas na Rádio Sociedade, participou de jornadas internacionais e acompanhou acontecimentos que entraram para a memória esportiva de Feira de Santana.
Um deles foi a visita de Pelé à cidade, em 1975, para um amistoso entre Santos e Fluminense de Feira, no estádio Joia da Princesa. Jair esteve entre os jornalistas que acompanharam a passagem do Rei do Futebol e teve a oportunidade de entrevistá-lo.
Referência do rádio
A repercussão da morte também chegou a profissionais de outras áreas da comunicação. O jornalista Cristiano Alves, que trabalhou com Jair na Rádio Sociedade e no site Encontro Já, destacou a lacuna deixada pelo radialista.
“E, com certeza, fica essa lacuna aí no rádio, rádio que esse ano perdeu nomes como Jota Vieira, Comitá, Jair Pimenta, eh a comunicação de modo geral perdeu outros nomes e que, infelizmente, agora eh sofre aí com a partida do companheiro Jair Cesarinho.”
O frade Jorge Rocha, ex-superintendente da Rádio Sociedade, que conhecia Jair desde o período em que foi aspirante em Feira de Santana, também prestou homenagem ao amigo. Ele recordou a vinheta vibrante do radialista e a presença que permaneceu em sua memória afetiva.
Em nome da Fundação Santo Antônio dos Frades Capuchinhos e das emissoras da Rede de Rádio Comunicação, o radialista Beto Moreno, coordenador das rádios Princesa e Sociedade News, manifestou solidariedade à família e agradeceu pelos momentos de convivência e aprendizado ao lado de Jair.
O Sindicato dos Radialistas da Bahia também lamentou a morte. Almir Melo, em nome da entidade, da diretoria e do presidente Luciano Tapajós de Araújo, destacou a participação de Jair nas ações da Associação Bahiana de Imprensa (ABI), instituição que representou durante anos.
“Vimos aqui dar os nossos sentimentos para a família e dizer que Jair nunca vai sair dos nossos corações pelo homem de fibra, garra que ele tinha, participativo, que compartilhava com todos as ações da ABI pela qual ele representou aqui durante muitos anos. Fique com Deus, Jair”, declarou Almir.
Filho de Alfredo Cesarinho, ex-jogador que marcou o primeiro gol profissional do Fluminense de Feira, em 1954, Jair construiu uma trajetória que uniu a paixão pelo futebol à capacidade de comunicar. Recebeu homenagens por sua contribuição à região e ajudou a formar profissionais que hoje também fazem parte da história do rádio.
O velório será a partir das 12h deste sábado (10),na Pax Bahia, localizada na Avenida Centenário, nº 291, bairro SIM, em Feira de Santana. O sepultamento ocorrerá neste domingo (11), com saída às 15h, no Cemitério Piedade, situado na Praça da Piedade, no bairro Calumbi.
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