Ex-diretora do presídio Eunapolis acusada de facilitar fuga de 16 detentos é solta

A ex-diretora do Conjunto Penal de Eunápolis, Joneuma Silva Neres, acusada de facilitar a fuga de 16 detentos da unidade prisional em dezembro de 2024, foi colocada em liberdade na manhã desta terça-feira (17/3), após permanecer mais de um ano presa. Ela deixou a unidade prisional acompanhada da filha, de oito meses, que nasceu enquanto ela estava custodiada.
A fuga ocorreu após um grupo de homens armados invadir o presídio, no extremo sul da Bahia, abrindo caminho para que os detentos escapassem. Durante a ação, houve confronto com policiais, resultando na morte de dois suspeitos. Um dos fugitivos foi recapturado posteriormente, enquanto outros 13 seguem sendo procurados pelas autoridades.

No último dia 4 de março, a Polícia Civil realizou novos mandados de prisão e de busca e apreensão em mais uma fase da operação que investiga a fuga. Na ocasião, Joneuma também foi alvo da ação. Durante as diligências, um suspeito conseguiu fugir após trocar tiros com policiais. No imóvel onde ele estava foram apreendidos drogas, dinheiro e anotações que passarão a integrar o inquérito.
Detalhes da fuga
De acordo com as investigações, a fuga só foi possível por causa de duas ações simultâneas. Enquanto os detentos perfuravam o teto da cela onde estavam custodiados, um grupo de oito homens armados invadiu o presídio e passou a atirar contra agentes nas guaritas.

Segundo o coronel Luís Alberto Paraíso, comandante da Polícia Regional na cidade, o ataque externo garantiu a cobertura para a fuga dos presos.

“O grupo criminoso veio de fora do presídio, cortou a grade e começou a atirar nas guaritas. Essa troca de tiro sustentou a fuga dos elementos que desceram por cordas e fugiram pelo matagal”, explicou.

Durante a ação criminosa, os invasores mataram um cão de guarda da unidade e abandonaram um fuzil calibre 5.56, fabricado nos Estados Unidos e sem numeração aparente. Também foram encontrados dois carregadores contendo 57 cartuchos intactos.

Situação dos fugitivos
Até o momento, apenas um dos fugitivos foi recapturado: Valtinei dos Santos Lima, conhecido como Dinei, localizado pela polícia em 6 de setembro de 2025, em Porto Seguro.

Outros dois detentos morreram em ações policiais. Anailton Souza Santos, conhecido como Nino, morreu após confronto com policiais civis em Eunápolis, em janeiro de 2025. Já Rubens Lourenço dos Santos, o Binho Zoião, foi morto durante uma megaoperação policial realizada no Rio de Janeiro em outubro de 2025.

Os outros 13 fugitivos seguem foragidos.

Segundo as investigações, o principal objetivo da ação criminosa era libertar Ednaldo Pereira Souza, conhecido como Dadá, apontado como líder da facção criminosa Primeiro Comando de Eunápolis (PCE), além de outros 15 integrantes da mesma organização. Todos cumpriam pena por crimes como tráfico de drogas, associação para o tráfico e homicídios qualificados.

Suspeitas contra a ex-diretora
Joneuma Silva Neres foi presa cerca de um mês após a fuga, acusada pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA) de facilitar a ação criminosa e manter ligação com integrantes da organização criminosa. Ela foi localizada em 23 de dezembro de 2025, próximo a uma agência bancária no município de Teixeira de Freitas, também no extremo sul do estado.

Durante as investigações, surgiram relatos de que a ex-diretora teria concedido diversas regalias aos detentos, incluindo autorização irregular para entrada de roupas, freezers, ventiladores e sanduicheiras dentro do presídio. O ex-coordenador de segurança da unidade, Wellington Oliveira Santos, afirmou em depoimento que a então diretora atendia exigências feitas principalmente por Dadá, apontado como líder da facção.

Entre as irregularidades relatadas está a liberação de visitas sem inspeção adequada. Segundo o depoimento, a esposa de Dadá entrava na unidade sem passar pelos procedimentos de revista, mediante autorização direta da diretora.

Suspeita de relacionamento com líder de facção
Outros relatos também apontam que Joneuma teria mantido um relacionamento amoroso com Dadá. Segundo funcionários da unidade, os dois teriam encontros frequentes dentro do presídio, que aconteciam na sala de videoconferências.

De acordo com o depoimento do ex-coordenador de segurança, esses encontros ocorriam a portas fechadas e com a visibilidade da sala bloqueada por uma folha de papel colocada no vidro da porta, o que levantava suspeitas entre os servidores da unidade.

Denúncia do Ministério Público
O Ministério Público da Bahia apresentou denúncia contra Joneuma, Wellington, Dadá e os demais fugitivos em março deste ano. Conforme o processo, os presos aliados ao líder da facção foram transferidos para a mesma cela antes da fuga.

No dia 29 de novembro de 2024, os detentos teriam utilizado uma furadeira para abrir um buraco no teto da cela. O barulho chamou a atenção de agentes penais, mas, segundo os depoimentos, providências só teriam sido tomadas dois dias depois.

Ainda de acordo com o relato do ex-coordenador de segurança, a ferramenta utilizada para abrir o buraco foi recolhida e mantida por alguns dias na sala da diretora. Posteriormente, pouco antes da fuga, ela teria determinado que o objeto fosse levado para a casa dela.

Ataque contra diretor do presídio
Meses após a fuga, em maio de 2025, um motorista do Conjunto Penal de Eunápolis foi baleado enquanto dirigia nas proximidades da unidade prisional. A suspeita é de que o alvo do ataque fosse o então diretor do presídio, Jorge Magno Alves, que não estava no veículo no momento do atentado.

Homens armados com fuzis dispararam contra o carro utilizado pelo gestor do presídio. O motorista foi socorrido e não correu risco de morte.

Em agosto de 2025, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) exonerou Jorge Magno Alves do cargo de diretor do presídio. Para o lugar dele foi nomeado Fabrizio Gama e Narici, enquanto Sergio Vinicius Tanure dos Santos assumiu como diretor-adjunto da unidade.

O caso da fuga e da suposta participação de servidores públicos segue sendo investigado pelas autoridades.

 

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