Por que Judas é queimado no Sábado de Aleluia? Entenda o significado da data

Data está entre a Sexta-Feira Santa, que relembra a crucificação de Jesus, e o Domingo de Páscoa, que marca a ressureição

Abril é um mês carregado de simbolismo para aqueles que seguem a fé cristã. Entre a Sexta-Feira Santa e o Domingo de Páscoa, que acontecem nos dias 3 e 5 deste mês, respectivamente, o Sábado de Aleluia é marcado pelo clima de recolhimento e espera. Neste dia, um ritual mundialmente conhecido ainda é marca em algumas cidades: a malhação ou queima de Judas. 

Mas, afinal, o que representa essa tradição? Antes de entender o significado dela, é preciso se situar entre as outras datas do calendário cristão. A Sexta-Feira Santa é a marca da crucificação de Jesus, que segundo a Bíblia, ocorreu após o discípulo Judas Iscariotes entregar Jesus aos romanos. 

Para punir aquele que traiu Jesus, os cristãos espancam e queimam um boneco que representa Judas. A tradição acontece, por exemplo, na cidade de Itu, em São Paulo, que transformou a malhação em atração turística. A Praça Matriz recebe os bonecos que representam o Diabo e Judas, que são queimados em seguida. 

De acordo com o Vaticano, o Sábado de Aleluia é descrito pelos padres da Igreja como “o mais longo dos dias” e propõe uma espera silenciosa, que revive a angústia dos discípulos após a crucificação.

A reforma litúrgica realizada por Pio XII, ainda segundo o Vaticano, restaurou a data como tempo de recolhimento, no qual cada cristão reflete sobre a morte de Cristo e sobre a finitude da existência humana. “Nesse momento, a fé é posta à prova: o Messias morreu, e o desfecho permanece desconhecido. Só resta confiar que o vazio interior será um dia preenchido”, afirma. 

O padre Chrystian Shankar, que possui mais de 5 milhões de seguidores nas redes sociais, explica que a queima ou malhação de Judas deve ser a representação de algo mais profundo do que a punição pela traição do discípulo. “Ao bater no boneco, o povo parecia querer descarregar ali a indignação, a revolta, até mesmo a culpa. Como se, ao apontar para Judas, fosse possível aliviar a própria consciência”, detalhou em publicação nesta semana. 

“A verdadeira ‘malhação de Judas’ não pode ser apenas um gesto externo, cultural ou festivo. Ela precisa acontecer dentro de nós. É o momento de confrontar o próprio coração, de reconhecer aquilo que precisa ser arrancado, aquilo que precisa morrer para que a graça de Deus viva. Não se trata de condenar Judas, mas de converter a própria vida”, acrescenta. 

Durante o Sábado de Aleluia, a Igreja não realiza missas. A data também marca o último dia da Quaresma, que começa na Quarta-Feira de Cinzas e dura 40 dias, encerrando-se com o início da Vigília Pascal, na noite do sábado. A partir dessa celebração, a Páscoa tem seu início, onde os cristãos celebram a vida nova em Cristo.

 

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